O major Curió, oficial do exército que atuou diretamente na repressão à guerrilha do Araguaia, ocorrida entre 1972 e 1974, entregou à imprensa, há pouco, novos documentos sobre a repressão a esse movimento armado. Por um lado, seus documentos comprovam as denúncias, feitas há muito, sobre o fuzilamento de prisioneiros pelas tropas do exército. Por outro, eles têm servido para novas reflexões a respeito desse episódio histórico. Por exemplo, parece ser consensualmente reconhecido que o PC do B transferiu das zonas urbanas para uma região ao sul do Pará e às margens do rio Araguaia, a partir de 1966, cerca de 60 militantes e dirigentes partidários, com o objetivo de dar início a uma guerra popular prolongada. Até 1972, esses militantes e dirigentes dedicaram seus esforços para desenvolver atividades econômicas e sociais, integradas à realidade local, através das quais granjearam uma ampla simpatia da população com que conviviam. A partir desse reconhecimento consensual, os demais fatos e interpretações sobre as ações daqueles militantes e dirigentes se embaralham. Alguns supõem que, após serem atacados pelas tropas do exército, eles teriam não só iniciado a resistência armada, como também empreendido um amplo trabalho político, através da União pela Liberdade e Democracia do Povo (ULDP). Isto seria a comprovação de que aquela resistência não teria constituído qualquer tipo de “foco”. O trabalho político, realizado após o início da resistência armada, não teria conquistado a adesão de apenas 11 camponeses, como afirma o relatório de Ângelo Arroio, assassinado pelas forças policial-militares durante o massacre da Lapa, em dezembro de 1976. Os documentos do major Curió teriam ampliado esse número para 20 habitantes locais, além de acrescentarem a informação de que a guerrilha teria contado com 98 combatentes (não 69, como afirmara Arroio), e o suporte logístico de 158 moradores. Teria havido, pois, um trabalho político prévio entre os camponeses, que garantira uma forte simpatia aos jovens guerrilheiros e o “apoio de 90% da população local à luta armada”. Na prática, portanto, os guerrilheiros teriam seguido firmemente as exigências da guerra popular. Isto é, forjado sólidos vínculos com as massas, formulado suas reivindicações e conhecido o terreno. Este, por suas condições geográficas, teria sido favorável às forças revolucionárias e desfavorável às do inimigo. Infelizmente, essa apreciação não explica por que as condições geográficas acabaram por se mostrar desfavoráveis para os guerrilheiros. Foram os militares que conseguiram mobilizar, mesmo à força, os grandes conhecedores das condições geográficas locais, os índios suruís e os mateiros. Afora isso, essa apreciação também reduz apenas à guerra popular a necessidade de forjar vínculos sólidos com as massas e saber formular suas reivindicações. Na verdade, esta é uma exigência geral para o trabalho de qualquer partido popular, ainda mais revolucionário, em qualquer situação, conforme debatemos em comentários anteriores. Se isto é verdade, o que se deve perguntar é se atividades sociais, como participar de puxirões ou de trabalhos econômicos de ajuda mútua, ou demonstrar solidariedade diante de doenças e outras dificuldades, representam trabalho político. Ou até que ponto tais atividades contribuem para o aprendizado
político. Que se saiba, atividades sociais são uma das bases sobre a qual a atividade política pode se desenvolver. Mas, simpatia social e adesão política são coisas diferentes. Confundi-las, na luta política e, mais ainda, na luta militar, pode levar a tragédias. Portanto, se aqueles militantes e dirigentes só começaram a realizar o trabalho político da ULDP após serem atacados pelas forças armadas do regime, na impossibilidade de desenvolverem uma ação abertamente política entre 1966 e 1972, na prática isto representa uma inversão da teoria política. Segundo esta, a guerra é a continuação da política por meios armados. Sem os camponeses haverem passado pelo aprendizado da luta política dos diversos meios pacíficos, e chegado à conclusão de que não poderiam viver como até então, seria pedir demais a eles que aderissem à forma extrema dos meios armados por mera simpatia social.
Reflexões sobre a guerrilha do Araguaia
Postado em Qualquer coisa assim em 07/08/2009 por danubiaO mundo é mágico – as aventuras de Calvin e Hobbes
Postado em Qualquer coisa assim em 01/08/2009 por danubia

By Bill Waterson
Alice no país das maravilhas – Tim Burton
Postado em Qualquer coisa assim em 24/07/2009 por danubiaTchan, tchan, tcha, tchann…..
Primeiro trailer do novo filme do Tim Burton. =)
Postado em Qualquer coisa assim em 15/07/2009 por danubia
Passeando por um dos sites que costumo acompanhar, encontrei a seguinte proposta: “como seria um filme do Woody Allen se ele viesse filmar aqui?”. A pergunta foi feita em um dos cadernos do jornal Zero Hora, imaginando como seria um filme do diretor se este fosse filmado na cidade de Porto Alegre. Vários escritores fizeram sua contribuição para o caderno, mas o mais massa encontrei no site O esquema.
Eis que o cara do site escreve o seguinte roteiro! Show de bola.

Noah Flemming é um escritor novaiorquino em fim de carreira. Seus livros raivosos e libertários foram quitutes valorizados nos anos 70 e até a metade dos anos 80. Mas, a partir daí, tudo que ele produziu se tornou irrelevante. Diferente de seu público habitual, Flemming não amadureceu e manteve a mesma verve adolescente até os 60 anos. Por mais 20 anos não houve problema, pois ele nunca deu grande peso à bajulação do público e os direitos autorais de seus livros e das adaptações (teatro, cinema, TV) sustentaram sua rotina simples (acordar, escrever, passear, beber, jantar fora, assistir TV e dormir com muitas mulheres).
Mas quando os contratos começaram a expirar, o escritor se viu com uma série de dívidas incrementadas com as pensões de suas três ex-mulheres. A saída foi aceitar todo e qualquer bico que surgisse, fosse de escritor ou não. Uma das fontes de remuneração mais consistentes de Flemming era a doação sistemática de esperma a um banco de um laboratório que ficava feliz em pagar um bônus extra pelos espermatozóides de um intelectual renomado ainda que semi-esquecido. Dessa forma, a vida seguia com algumas dificuldades mas sem grandes sobressaltos.
Problema mesmo foi quando ele descobriu em um médico que uma série de ataques depressivos que vinha lhe acometendo tinham uma origem clara: seus orgasmos. Cada vez que atingia o orgasmo, fosse na cama com uma de suas frequentes companhias, fosse na doação de esperma, Flemming sofria uma severa depressão aguda que durava exatas 24 horas. Para um homem que vivia psicologicamente e financeiramente de ejaculações, a vida começava a se tornar um pequeno inferno.
Sem poder abrir mão do dinheiro do laboratório e com medo de perder suas companheiras, Flemming passou a viver um dia deprimente atrás do outo enquanto buscava uma solução. Nenhum médico de nenhuma área oficial ou alternativa foi de ajuda. Contrariando toda sua mentalidade cética, a resposta veio em um documentário sobre a Amazônia que passou de madrugada na TV e que mostrava um curandeiro capaz de resolver qualquer problema sexual com a baba de sapo. Descrente porém desesperado, Noah Flemming, intelectual que nunca havia tirado os pés de Manhattan, comprou um pacote turístico (incluindo trechos locais pela VARIG) que o levaria até a floresta amazônica pra resolver o único obstáculo intransponível da sua vida.
Foi uma viagem triste. Primeiro porque Flemming tivera que deixar porções extra de esperma no laboratório para poder bancá-la. Segundo, porque quando chegou em Guarulhos, a VARIG estava às portas de falir. Na confusão, uma atendente trocou por engano sua passagem para Porto Velho por uma para Porto Alegre. Dezoito horas depois de sair do aeroporto Kennedy, Flemming desembarcou em uma cidade fria, úmida e sem nenhum traço de floresta por perto. Que espécie de Brasil era aquele?
Ele não entendeu nada. Foi reclamar no balcão da Varig, mas a companhia praticamente não existia mais. Um atendente compreensivo lhe arrumou um voucher para ele passar uns dias em Porto Alegre até que conseguisse que lhe mandassem pra Porto Velho. Desesperado, sem falar português, pegou um táxi para o Sheraton, no Moinhos de Vento (bairro de classe média alta que flutua entre o agradável e o pretensioso). Se a língua e o destino errado preocupavam Flemming, ao menos algo lhe fazia bem: sem precisar doar esperma e encontrar suas namoradas, ele não precisava ejacular nem atender às ligações de suas ex-mulheres.
À medida em que os dias passavam, enquanto ele esperava uma solução da Varig, ele tinha seus dias mais tranquilos e felizes em um bom tempo. Nos primeiros dias, apenas passeou a pé pelas imediações do hotel, conhecendo belas praças, olhando as lindas mulheres e tomando café enquanto fingia ler jornais em português. Depois, se aventurou pelo Museu Iberê Camargo. No terceiro dia, até aceitou a sugestão da concierge e foi a uma churrascaria, onde pôde experimentar um pouco da selvageria brasileira com aquele monte de carne espetada sendo trazida de forma intensa à mesa. Talvez, pensava, não precisava mesmo de baba de sapo de curandeiro, mas simplesmente um pouco de férias e de excessos latinos.
A tranquilidade foi interrompida por um encontro casual no corredor do hotel. Ao ajudar uma mulher a abrir a porta do seu quarto, Flemming se viu atraído por uma conterrânea. A dra. Amy Fitzpatrick se apresentou como uma cardiologista novaiorquina participando de um trabalho no Instituto do Coração por tempo indeterminado. Estava ficando o primeiro mês no hotel, mas depois iria para um apartamento alugado por uma fundação e ficara feliz de encontrar alguém da sua cidade. À noite, os dois jantaram no Bar do Beto (outra sugestão da concierge), beberam uma cerveja que só tem no Rio Grande do Sul e resolveram caminhar na beira do Parque da Redenção às dez da noite, como gostavam de fazer no Central Park individualmente quando estavam na sua cidade. Quase foram roubados, não fosse a intervenção de um vendedor de cachorro quente que os advertiu minutos antes de serem abordados por assaltantes.
Já no hotel, Flemming resistiu bravamente às insistentes propostas de Amy para que os dois dormissem juntos. Sentindo-se solitária e sendo bastante ativa sexualmente, desde o jantar ela começara a fazer insinuações, mas com medo de cair novamente em depressão, ele se fez de salame e conseguiu escapar por pouco. No entanto, havia se afeiçoado por ela. Na semana seguinte, os dois passaram todo o tempo livre de Amy juntos. Conheceram a Zona Sul de Porto Alegre e visitaram o centro em um fim de semana. Foram ao Theatro São Pedro e comeram no Mercado Público. Pediram bauru por tele-entrega no hotel uma noite e em outra passearem pela Cidade Baixa (os dois tinham isso em comum, adoravam caminhar) e acabaram a noite tomando Polar e comendo xis no Cavanha’s. Nessa noite, bêbado no Cavanha’s, Flemming revelou sua história a Amy. Contou de seu problema e por que vinha resistinto às investidas da amiga, apesar de estar bastante interessado. Chocada, ela comentou com ele que sua pesquisa versava justamente sobre os efeitos do orgasmo no coração. Bêbado, ele acreditou e aceitou se submeter a um exame no Instituto do Coração.

No dia seguinte, tomado por uma ressaca portoalegrense, Flemming correu vinte minutos em uma esteira do Instituto do Coração e quase morreu. Passou o dia no hospital dormindo e no fim da tarde recebeu a notícia de Amy: seu problema havia sido resolvido com o desentupimento voluntário de uma artéria. Ela mostrou rapidamente os exames a ele, que não entendeu nada, mas ficou tão feliz que pulou da cama e a convidou de volta para o hotel, o que ela aceitou prontamente.
Na manhã seguinte, após uma noite de amor, Flemming acordou receoso. Abriu primeiro um olho, depois o outro. Olhou para Amy ao seu lado na cama e depois para o próprio corpo. Abriu uma fresta na janela e viu que o dia estava nublado, cinza. Ainda assim, sentia-se bem. Achou o cinza inspirador e a chuva que se anunciava como um bom sinal. Estava curado.
Antes de acordar, ainda percebeu uma folha dobrada que havia sido empurrada por baixo da porta do quarto. Era um bilhete da recepção, avisando que a companhia aérea havia resolvido a questão de sua passagem e que ele podia partir para Porto Velho no mesmo dia. Olhou para Amy e olhou para a carta em suas mãos.
Corta para dois meses adiante.
Amy e Flemming estão caminhando na beira do Rio Guaíba, olhando o Pôr-do-Sol com o Gazômetro às costas. Crianças brincam ao redor e Flemming está com cara de surpreso olhando para Amy. Fala de forma nervosa:
“Quer dizer que aquele exame era de outra pessoa? Nunca houve nada de errado comigo? Você simulou aquele teste? Os relaxantes musculares, tudo aquilo… você me manipulou? Eu não posso acreditar como caí nessa. Você vê a ironia disso tudo? Eu deixei de ir à Amazônia me consultar com um curandeiro duvidoso pra me colocar nas mãos de uma cientista e você…. você…. Amy… você é incrível…”
Os dois se abraçam com o Pôr-do-Sol às costas e o filme termina.
(Gustavo Mini – O esquema)
Dispensa de diploma deve aumentar exploração no jornalismo
Postado em Qualquer coisa assim em 22/06/2009 por danubiaAbsurda a decisão do STF em suspender a exigência do diploma de jornalismo… e ainda nos comparam com chefs de cozinha …
Vamos contratar um chef pra operar o cérebro desse povo… quem sabe saia uma boa sopa.
Abaixo, mais um ótimo texto retirado do Correio da Cidadania
♣ Escrito por Hamilton Octavio de Souza 18-Jun-2009O Supremo Tribunal Federal decidiu retirar da regulamentação da profissão de jornalista a exigência de diploma específico de curso superior de jornalismo. Essa exigência existe desde a regulamentação de 1969. Passou a vigorar em 1971. Nunca foi limitação para a liberdade de expressão e nunca impediu ninguém de colaborar e participar das atividades jornalísticas e dos meios de comunicação.
Os jornais e as revistas estão cheios de articulistas não-jornalistas. É só ver os colaboradores da página 2 da Folha de S. Paulo: Antonio Ermírio de Moraes, Delfim Netto, Emílio Odebrecht, Marina Silva, Cesar Maia etc. A exigência tem servido para definir o perfil da categoria profissional, sobre quem vive do trabalho jornalístico, quem tem no jornalismo a sua atividade principal, quem tem vínculo empregatício como jornalista.
Para a categoria, a exigência do diploma foi uma conquista importante – na medida em que estabeleceu área específica de estudo, reflexão e pesquisa, aperfeiçoamento técnico e comprometimento ético e político.
Contribuiu para elevar o nível intelectual e cultural da categoria – de maneira geral, apesar dos cursos ruins e picaretas (como em todas as áreas do ensino superior público e privado). Há anos que as empresas jornalísticas fazem campanha contra a exigência do diploma, basicamente pelos seguintes motivos:
1) Ficam liberadas para contratar quem bem entenderem no grande exército de reserva (o desemprego passa dos 30% entre os jovens de 18 e 25 anos);
2) Aumentam a pressão para rebaixar ainda mais os salários, sem o menor respeito aos pisos salariais conquistados pela categoria profissional;
3) Podem ampliar o esquema de super-exploração dos trabalhadores do jornalismo (através da ausência de vínculo, PJ, frila fixo, produção para vários veículos, não pagamento de direitos autorais etc.), enfim, podem fazer no setor da comunicação o que se faz com a terceirização da mão-de-obra nos call centers da vida;
4) Podem aumentar o controle ideológico de seus trabalhadores jornalistas sem conflitos éticos e compromissos sociais. Os jornalistas, queiram ou não, têm uma noção mais próxima da profissão enquanto serviço de interesse público acima do interesse privado dos grupos econômicos).
Portanto, a derrubada do diploma é antes de mais nada uma vitória do capital. O que fazer? O jornalismo brasileiro tem mais de 200 anos de história. A categoria profissional se reconhece como tal há mais de 80 anos. O sindicato dos jornalistas de São Paulo foi fundado em 1937. Antes da exigência do diploma, a categoria já havia conquistado a jornada de trabalho (5 horas + 2 horas extras = 7 horas), o piso salarial (que já foi de seis salários mínimos) e outros benefícios profissionais. Tudo isso foi construído com luta. A exigência do diploma durou 40 anos. Contribuiu para consolidar o profissionalismo da categoria, mas também foi um grande estímulo ao aparecimento dos cursos de picaretagem – as verdadeiras arapucas do ensino superior – que se aproveitaram dessa “reserva de mercado de trabalho” para lucrar e inundar a profissão de pessoas despreparadas e descomprometidas com o papel transformador do jornalismo.
A não exigência do diploma coloca um novo desafio para os cursos da área: conquistar o seu próprio espaço na sociedade e a sua própria inserção no mercado de trabalho profissional. As boas escolas, os bons cursos continuarão como referência e formando bons jornalistas para a sociedade brasileira. Ainda é preciso ver qual será a exigência para o registro da profissão, se haverá ou não registro profissional. O debate está aberto. Não dá para fugir dele.
Hamilton Octavio de Souza é jornalista da Revista Caros Amigos e chefe do departamento de jornalismo da PUC.
É imprescindível nova Lei de Imprensa para proteger o cidadão e a comunicação
Postado em Qualquer coisa assim em 04/06/2009 por danubia| Escrito por Gabriel Brito | |
| 30-Mai-2009 |
No último dia 30 de abril, o STF finalizou o processo de extinção da antiga Lei de Imprensa, revogando-a definitivamente depois de ter suspendido, em fevereiro de 2008, 22 dos 77 artigos de seu texto. Assim, abriu-se um enorme leque de dúvidas a respeito da regulamentação do exercício da profissão, além de muitas interrogações a respeito dos inumeráveis processos hoje em andamento, que agora podem adentrar o terreno do ‘vazio jurídico’.
Para o jornalista Hamilton Octavio de Souza, chefe do departamento de jornalismo da PUC, é importante que se redija uma nova lei, com vistas a proteger a cidadania e a liberdade de acesso de todos aos meios de comunicação, ao lado da necessidade de se assegurarem instrumentos de controle da responsabilidade da informação.
Entrevistado pelo Correio da Cidadania, Hamilton lembra que existem demandas urgentes, como as concessões de rádio e TV e a democratização da mídia, que precisam ser garantidas para que se mude algo de efetivo na atual correlação de forças. “O único instrumento que hoje regulamenta a comunicação é a Constituição, e ela não é cumprida. O resto é faroeste”, sintetiza.
Por fim, falando em democratizar, aponta que a Conferência Nacional de Comunicação, marcada para dezembro, poderá se transformar numa ‘farsa sob controle da mídia dominante’ caso não haja mobilização popular em torno dela.
Correio Cidadania: O que você pensa da revogação da Lei de Imprensa? A esta altura, é de valor mais simbólico ou prático?
Hamilton Octavio de Souza: Tem interferência em questões práticas, porque, embora a Lei de Imprensa seja um entulho da ditadura, regulamentava questões que ficaram sem regulação, como o direito de resposta, a questão da responsabilidade dos veículos, dos danos morais… Detalhava algo que, apesar de previsto no Código Penal, este não entra em alguns pormenores específicos que a Lei de Imprensa tratava. Assim, ela cria um vazio de legislação nesse momento.
O Brasil precisa de uma lei que regulamente o funcionamento da comunicação social, que seja democrática, permitindo ao cidadão que se defenda e tenha acesso aos veículos, de maneira que possa se expressar. Não faz sentido que os meios fiquem isentos de sua responsabilidade nos ataques e matérias que fazem em relação a pessoas, empresas, entidades ou movimentos sociais.
Portanto, a derrubada da Lei de Imprensa cria uma situação que deverá criar polêmicas sobre como fiscalizar e atuar nesta área sem lei específica. Além disso, em determinados casos, pode tanto prejudicar o cidadão como também a própria empresa de comunicação, pois dependerá da cabeça de cada juiz estabelecer o que se fazer em cada situação.
Existem no momento milhares de processos de danos morais em andamento, causados por matérias veiculadas pela mídia. Se não se tem mais a lei que cuida disso, muitos juízes podem optar pelo arquivamento dos processos.
Sendo assim, penso que o Brasil precisa de uma lei democrática, que pense na defesa do cidadão diante de algum ataque ou divulgação de informação que cause prejuízo à sua vida.
CC: Dessa forma, podemos imaginar que esse citado vazio jurídico poderia ser ainda mais prejudicial para setores mais fracos da sociedade e com menor poder de expressão de suas idéias.
HOS: Exatamente, porque as classes dominantes – políticos, autoridades, ricos em geral – têm acesso garantido aos meios de comunicação. Quem não o possui são os cidadãos comuns, o trabalhador, aquele que não tem nenhum tipo de pistolão, proteção de autoridades ou de gente rica e poderosa. É neste caso que a Lei de Imprensa era um instrumento que precisava ser revogado. Mas algo precisa ser deixado em seu lugar, construído sob a visão de defesa da cidadania, dos direitos humanos e do acesso do cidadão aos meios de comunicação.
CC: Seriam esses os verdadeiros pontos fundamentais a serem tratados em uma eventual nova lei de imprensa, portanto.
HOS: Sim, devemos caminhar para isso. É inacreditável que tanto o governo atual como os que se seguiram após o fim do regime militar – Sarney, que viveu a Constituinte, Collor, FHC, Lula – não tenham tomado a iniciativa de construir uma nova Lei de Imprensa, democrática e adequada aos direitos do cidadão de poder falar e se defender de ataques da mídia. Ninguém construiu isso e ficou o vazio.
Na verdade, há um medo muito grande de regulamentação na área. Há demandas para regulamentação das concessões de rádio e TV, regulamentação de distribuição da verba de publicidade oficial, regulamentação dos canais de TV paga via satélite e da própria distribuição de conteúdo pela telefonia. São todos pontos sem regulamentação.
Na verdade, é um caos deliberado, pois há integrantes da classe dominante, e principalmente empresários da comunicação, que têm interesse em atuar neste caos, pois levam vantagem. Sem regulamentação, fazem aquilo que lhes interessa empresarialmente.
CC: E quais interesses mais específicos poderiam se impor, em detrimento de discussões mais prementes, no que tange uma regulamentação da função da imprensa?
HOS: Temos uma situação inconstitucional na questão da radiodifusão. Isso porque a Constituição expressa, em seus artigos 220 e 224, que no Brasil não é permitido monopólio ou oligopólio nos meios de comunicação.
No entanto, as redes que atuam no país possuem uma quantidade enorme de veículos a elas vinculados, constituindo um quadro de oligopólio, o que é ilegal, inconstitucional. É um caso de desrespeito à Constituição.
Por exemplo, a questão das concessões de rádio e TV é prejudicada pela falta de uma legislação que estabeleça um critério claro sobre quais condições um veículo deve atender para obter a renovação de concessão. A concessão é dada para um período de 15 anos e, finalizado esse período, como aconteceu no ano passado, com várias emissoras renovando as suas permissões, não havia nenhum critério de avaliação. E os critérios poderiam se pautar em conferir se a emissora vem cumprindo aquilo estabelecido na Constituição. Lá, está escrito que a comunicação social tem de dar prioridade à informação, educação e cultura. E também que o sistema de comunicação deve ser público, privado e estatal.
Temos um desequilíbrio muito grande nisso, com um sistema privado grande, uma pequena participação estatal e a inexistência do sistema público. Outro ponto estabelecido é que as redes de rádio e TV devem ter produção local e regional, a fim de estimular e preservar a cultura regional. Isso não é respeitado pelas redes, que transmitem uma programação nacional, sem apoio e estímulo à produção cultural regional.
Ou seja, o único instrumento que hoje regulamenta a comunicação é a Constituição, e ela não é cumprida. O resto é faroeste. Quem tem mais poder de fogo atira como quiser. Dessa forma, estão nadando de braçada pela falta de controle dos meios. E está valendo tudo: proselitismo político, proselitismo religioso, transformar um canal em televenda de massa, um absurdo.
CC: E você enxerga possibilidade de que o momento possa impulsionar um debate mais profundo sobre a democratização da mídia?
HOS: Os setores ligados à luta pela democratização da comunicação, os movimentos sociais (que têm consciência da importância da comunicação em seus próprios processos de luta), vêm atuando no sentido de tentar colocar na agenda nacional a discussão deste tema.
Acontece que a grande imprensa e seus principais veículos não entram na discussão. E possuem no governo um aliado, no caso o próprio ministro das Comunicações Helio Costa, que é um representante das grandes redes. Ao invés de chamar o debate, o ministério tenta abafá-lo. E aos grandes veículos não interessa convocar o debate, para eles está tudo ótimo e assim deveria continuar.
CC: Qual a sua expectativa para a Conferência Nacional de Comunicação, marcada para dezembro e com apoio já declarado pelo presidente Lula?
HOS: Essa Conferência só tem condições de avançar para alguma proposta de democratização se houver uma grande mobilização popular. Sem essa mobilização, será uma conferência manipulada pelo Ministério das Comunicações – como, aliás, já vem fazendo, através de controles nos estados, de maneira a fazer com que a participação dos delegados da representação que culminará na conferência configure um congresso sob controle dos setores da mídia dominante. Portanto, pode se transformar numa grande farsa.
Só não o será se os movimentos populares e os setores que defendem a democratização fizerem grandes mobilizações pelo Brasil.
Gabriel Brito é jornalista.
A defesa da Coréia e a belicosidade dos EUA
Postado em Qualquer coisa assim em 03/06/2009 por danubiaO original encontra-se em http://www.workers.org/2009/editorials/korea_0604/. Retirado de http://resistir.info/.
Inaugurado novo hospital da Rede Sarah
Postado em Qualquer coisa assim em 04/05/2009 por danubiaFoi inaugurado, na última sexta-feira 1º de maio, mais um hospital da Rede Sarah. O Centro Internacional Sarah de Neuroreabilitação e Neurociências fica localizado em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Estiveram presentes a inauguração o presidente Lula, o governador do estado Sérgio Cabral e o ministro da saúde José Gomes Temporão.
O novo hospital atenderá gratuitamente pacientes em processo de reabilitação de problemas que afetam o sistema nervoso central (SNC). Como exemplo desses problemas podemos citar: acidente vascular cerebral, paralisia cerebral, traumatismo crânio-encefálico, doença de Parkinson e Alzheimer.
Este novo centro, assim como os demais da Rede Sarah, não possui atendimento de emergência e nem faz cirurgias. Somente atende processos de reabilitação.
Para receber atendimento, os pacientes devem marcar a consulta através do telefone (21) 3543-7600. Cada caso será avaliado por uma junta médica para posteriormente ser atendido.
A nova unidade conta com 200 leitos e 400 profissionais dedicados exclusivamente para o atendimento desse tipo de pacientes. A previsão da rede é atender cerca de 20 mil pacientes por mês.
“VIVER para a saúde e não sobreviver da doença”
A Rede de Hospitais Sarah é uma instituição de saúde pública. É mantida pela Associação das Pioneiras Sociais (EPS), que não possui fins lucrativos, pelo Ministério da Saúde, do qual recebe recursos para investir em tratamento de problemas neurocerebrais e na pesquisa científica nessa área.
A nova unidade está situada em um terreno de 86 mil metros quadrados que foi cedido pela Prefeitura do Rio. A área construída é de 57 mil metros quadrados. Está equipada com aparelhos para ressonância magnética, laboratórios computadorizados de movimento, laboratório de neuropsicologia entre outros.
O Ministério da Saúde investiu cerca de R$ 150 milhões para a construção da nova unidade e R$ 30 milhões para a compra dos equipamentos.
Além da reabilitação dos pacientes, o centro realizará pesquisas em neurociência. A pesquisa será feita em parceria com os principais centros internacionais especializados nessa área, a partir de um programa de pós-doutorado para pesquisadores do país e do exterior. Ainda neste ano o centro vai receber pesquisadores dos Estados Unidos, Bélgica e França.
Leia também
Sidney Resende
Jornal do Brasil
O dia on-line
Brasileiros preferem a floresta em pé
Postado em Qualquer coisa assim em 29/04/2009 por danubiaMais uma matéria legal do Mercado Ético, sobre o super ‘Novo código ambiental catarinense’.
Amazonia.org.br
Pesquisa realizada pelo Datafolha revela que 94% dos entrevistados preferem que cesse a derrubada de árvores, não importando que o preço disso seja brecar a produção agropecuária. Já a alternativa de autorizar mais desmatamento para aumentar a produção foi escolhida por apenas 3% dos entrevistados pela pesquisa.
O levantamento foi uma encomenda da ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira. O Datafolha ouviu 2.055 maiores de 18 anos e com telefone fixo em todo o país. Não há precedentes no modelo da pesquisa para que se possa comparar as opiniões colhidas durante a primeira quinzena de abril. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Para Roberto Smeraldi, diretor da Amigos da Terra, ” a novidade é que o brasileiro responde sobre florestas começando a fazer contas econômicas: compara com a produção agropecuária, enxerga o papel do varejo, não quer bancar os custos dos passivos dos infratores.”
Mudanças no Cógido Florestal
Hoje (29/4) no Senado, acontecerá mais um capítulo da batalha pela mudança nos limites de desmatamento. As atuais regras – reserva legal de 80% no bioma amazônico – foram fixadas em 2001, como reação a um aumento da devastação na Amazônia. Os ruralistas, que reúnem a maior bancada informal no Congresso, pretendem mudar o Código Florestal até o final do ano.
Tal data não é por acaso. Esse é o prazo previsto para que comecem a valer as punições para quem desmatou acima do limite legal, depois que a entrada em vigor de um decreto presidencial foi adiada pelo próprio governo e pressão dos produtores rurais. A anistia aos produtores que desmataram além do limite legal é defendida por apenas 11% dos entrevistados na pesquisa do Datafolha. A maioria -85%- escolheu a opção de punir os infratores, ainda que essa cobrança signifique aumento nos preços dos produtos agrícolas.
Em outra pergunta mais específica sobre a mudança nas leis que protegem a floresta, 91% dos entrevistados defenderam que a legislação deveria ser mais rigorosa, visando assim dificultar o desmatamento. Uma parcela menor (5%) optou por deixar as leis como estão, e os 4% restantes entenderam que a legislação deveria ser menos rigorosa, inclusive para anistiar aqueles produtores que estão na ilegalidade.
Uma proposta de anistia aos produtores ilegais orquestrada pelo Ministério da Agricultura levou ao impasse as negociações para mudar o Código Florestal durante o ano passado. Ainda assim, algumas mudanças são tidas como acertadas. O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, já concordou em autorizar o uso de espécies exóticas para recompor áreas desmatadas na Amazônia. Ele também avaliza a concessão de prazos de ajuste para quem desmatou antes de os limites se tornarem mais rigorosos.
P.S. Não adianta, eu gosto do texto justificado.